O topo é difícil. E acontece que isso é especialmente verdadeiro para babuínos machos dominantes, que envelhecem mais rápido devido a terem que defender constantemente seu status elevado, diz um novo estudo.

Pesquisadores nos Estados Unidos mediram o impacto do envelhecimento no DNA de 245 babuínos selvagens de uma população bem estudada no Parque Nacional Amboseli, no Quênia. Eles descobriram que os impactos fisiológicos de alcançar — e manter — uma posição elevada contribuíram mais para o envelhecimento prematuro do que as adversidades no início da vida.

“Os estressores ambientais podem fazer o relógio bater mais rápido”, disse o autor do artigo e antropólogo evolucionista Jordan Anderson, da Duke University, na Carolina do Norte. Isso, ele acrescentou, significa que “alguns indivíduos parecem biologicamente mais velhos do que sua idade real e apresentam um risco maior de doenças relacionadas à idade”.

“Procuramos responder quais experiências sociais ou de infância contribuem para o envelhecimento acelerado em babuínos.”

Uma forma de medir o envelhecimento e detectar quando isso ocorre prematuramente envolve olhar para o chamado ‘relógio epigenético’, mudanças químicas que afetam o DNA.

Comparando isso com outros métodos, os pesquisadores descobriram que o relógio epigenético era um bom preditor da idade cronológica geral quando usado nos babuínos. No entanto — e ao contrário de suas expectativas — a equipe descobriu que a adversidade no início da vida era um mau indicador de envelhecimento acelerado entre os macacos selvagens.

Em vez disso, eles descobriram que o relógio epigenético parecia acelerar à medida que os babuínos subiam na hierarquia social e desacelerava se descessem dela — um efeito que atribuíram às demandas físicas de manter um status elevado.

Da mesma forma, a equipe também observou uma associação entre babuínos com um índice de massa corporal mais alto (e, por extensão, mais massa muscular magra) e envelhecimento acelerado, que eles também relacionam aos esforços necessários para lutar contra os adversários.

Dois babuínos em luta, também conhecido como comportamento agonístico. Foto por David Clode.

“Nossos resultados argumentam que alcançar uma classificação elevada para babuínos machos, o melhor preditor de sucesso reprodutivo nesses animais, impõe custos que são consistentes com uma estratégia de história de vida ao estilo ‘viva rápido, morra jovem'”, disse Rachel Johnston, autora principal do artigo.

“Embora as descobertas revelem como as pressões sociais podem influenciar o envelhecimento dos machos, não vemos o mesmo efeito da classificação nas fêmeas dos babuínos”, disse a co-autora Jenny Tung. Babuínos fêmeas, ela explicou, “nascem em sua classe social em vez de ter que lutar por ela.”

“Nossos resultados têm implicações importantes para a pesquisa sobre os determinantes sociais da saúde em humanos e outros animais, porque mostram que ‘status elevado’ pode significar coisas muito diferentes em contextos diferentes”, acrescentou a professora Tung. “Eles também destacam a importância de examinar os efeitos dos ambientes da vida inicial e atual sobre o envelhecimento biológico”, concluiu ela.


Tradução do texto Dominant male baboons age faster from constantly having to defend higher status escrito por Ian Randall e disponível em Daily Mail Online

Mário Pereira Gomes
Mário Pereira Gomes

Graduado em História (UFPE), transhumanista e divulgador científico.

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